"Olá AFSers!
O meu nome é Rita Pinto e estou a fazer o meu ano AFS nos EUA, mais precisamente em Oklahoma, estado ao lado do Texas.
A primeira coisa em que pensei quando escolhi os EUA como o meu país de acolhimento foi do género, “lindo, aposto que vou parar a uma familia toda moderna no meio de New York e praia a 30 minutos de minha casa”. Pois bem, esta ilusão manteve-se até eu receber um telefonema da AFS a dizer que me colocaram num estado que nunca tinha ouvido falar, no meio do campo. E mais! Ainda me disseram que a minha família tinha vacas, cabras, cães e gatos e que a minha escola inteira, desde o 5º ao 12º, tinha cerca de 300 alunos. Foi um choque para mim, não estava nada à espera.
Cheguei a Caddo, a minha futura pequena vila no meio do nada, em Agosto de 2010. Foi um choque cultural para mim. Sempre fui uma menina de cidade, habituada a ter tudo o que preciso a 5 minutos de casa. Tive que me habituar a uma nova realidade. Esta pequena vila no meio de tantas árvores com apenas um restaurante de fast food e duas bombas de gasolina, era agora a minha nova casa.
No primeiro dia de escola todos vieram falar comigo e fazerem-me perguntas sobre mim e o meu país. Senti-me bem-vinda àquela terrinha tão pequena, as pessoas foram impecáveis comigo! Criei, gradualmente, laços com pessoas fantásticas que dizem que irão a Portugal só para me verem.
A minha família de acolhimento? Não podia ser melhor. São pessoas de uma pureza e simplicidade que na cidade é muito raro de encontrar. É claro que tivemos os nossos altos e baixos, mas sempre resolvemos os nossos problemas conversando calmamente. A aproximação à família não é imediata, como é óbvio. Temos que dar tempo ao tempo e deixar as coisas fluírem naturalmente. Lentamente, criei laços muito muito fortes com cada membro da família. É impressionante como no fim do ano nos apercebemos que arranjámos uma segunda família para a vida.
Enquanto estava nos EUA, recebi a pior noticia que algum dia poderia ter recebido: o meu avô morreu. Éramos muito chegados e tive muito em baixo durante semanas, perdida e sem saber o que fazer. A minha família de acolhimento apoiou-me ao máximo e penso que isso ajudou a sarar parte do buraco vazio dentro de mim. O meu avô de acolhimento um dia disse-me, “Rita, soube da tua perda. Lamento muito. Sei que será impossível substituir o teu avô, mas quero que saibas que estou disposto a ser um novo avô para ti e que podes contar comigo tanto como contaste com ele. Sinto-te como uma neta minha. Apesar de não sermos família de sangue, seremos sempre de alma.” Estas palavras foram como magia em mim.
Sabem que mais? Não vou dizer que esta experiência é fácil, porque não é. Houve pessoas a desistirem e outras a dois passos de desistir. Existem momentos óptimos e momentos péssimos, mas temos de aprender a lidar com eles por nós próprios e sem ajuda de ninguém. Aos poucos, tornamos-nos pessoas independentes, e acreditem que é um grande empurrão para a nossa vida futura. É preciso querer mesmo fazer isto e ter a força de vontade para o fazer. Mas digo-vos uma coisa… Se eu não tivesse feito esta experiência, nunca seria metade do que sou hoje. A AFS fez-me não só crescer como pessoa, mas também abriu-me portas para a descoberta de um mundo totalmente diferente e novo, que eu antes desconhecia.
Be the change you want to see in the world.
Be an exchange student.”
Rita Pinto Estudante AFS - Estados Unidos, 2010/2011 "´
http://www.intercultura-afs.pt/por_po/news/article/11596







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